Performancing Metrics

BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS »

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Vou dormir




Vou dormir. A lassidão nos olhos provocada por uma semana louca, não me permitem enxergar os ponteiros do tempo.
Vou dormir. São horas de entrar no mundo que me é tão querido, o dos sonhos. Apago primeiro a lamparina da lua que ainda vagueia feita tonta, pelas paredes do quarto.
Vou dormir. O amor promove por mim a dicção do sangue que me percorre nas veias.
Vou dormir. Despeço-me com uma carícia do livro que tenho na cabeceira, que me vigiará os sonhos, para que não sangre como um homem incapaz e obscuro, que não beba o sal e o fel do homem solitariamente demente.
Vou dormir. O corpo necessita morrer por algumas horas, longe da dúvida que me habita no dia. E, na cegueira do céu, as pálpebras cerram-se, os ossos estalam pelo peso dos anos que já me afloraram o corpo. Ardo serenamente em fogo lento e abraço-me no grito mudo do homem marginal.
Vou dormir. Um caderno branco permanece aberto como um barco à beira dos frescos frisos da escuridão e como cego quebro-me por inteiro contra o muro da indiferença.
Vou dormir. Adormeço, sonho e vejo-te a sorrir como uma rosa a florir. Deixo-me ficar parado ao teu lado a observar-te como um anjo, que apenas te ama.
Vou dormir. Mesmo que seja apenas o sonho imaterial, mesmo que seja só a palavra calada, e que me negue ao poema sem valor digo-a aqui com voz em segredo, longe dos teus olhos e da tua respiração: “Existes em mim!"


domingo, 13 de setembro de 2009

Fantasia



No conforto da minha fantasia te traço os lábios.
Na incandescência da paixão esqueço o tempo,
Calo a minha boca colada na tua,
Silêncio e seda inventadas numa folha de papel.
Invento o momento,
Diluo as minhas mãos na tua pele rosada
E sorvo-te num impulso!
Guardo o pensamento na gaveta dos nossos segredos,
Derramo-me na nascente da tua fantasia,
Traço o meu devaneio na recordação de palavras escondidas
E espero-te as mãos e o corpo na minha ilusão!
Na minha noite que não chega, cheiro-te a ausência,
O segredo e os murmúrios soltos...
Abafa-me em toques de carinho, ousa...
Toca-me a pele, desliza por ela, sedenta de ternura.


Imagem: Google

domingo, 6 de setembro de 2009

O livro da nossa memória


Sim! Estou convicto que nada é por acaso.
Já tive o meu destino cravado nas minhas mãos. A decisão estava tomada. Todavia, um dia como munidos de uma pedra de jade riscámos e escrevemos por cima uma história diferente da primeira. Um enredo na qual já não entravamos.
Eu bem tento, quero… Sim, quero e preciso, mas não consigo. Não consigo. Que raiva fica de mim mesmo. Que me faz tropeçar? Que embriaguez me persegue que me faz vacilar como um temulento sofrido no vício?
Afogo-me num mar de justificações e encalho nos arrependimentos.
Longe vão os dias que trocávamos o sono pela alegria das nossas palavras fixadas nos nossos pensamentos enquanto ambos namorávamos a lua que nos iluminava o coração e a face ruborizada de desejo. Mas sem o querermos mudámos de história. Porque estaria gasta?
Mas sei que não a vamos perder, porque esses dias e noites em que implorávamos pelo nosso amor ficará escrito noutro livro.
No livro da nossa memória.
A perfeição não existe e aquele querer, o nosso sonho do mundo perfeito lado a lado fez-nos cair no dia que ficámos sem asas, e sem chão.
Peço-te, não abras a janela do nosso pequeno quarto para que a luz não penetre até nós e não destrua os nossos sonhos.
Vamos juntos impedir que a luz do dia deixe transparecer o tempo que nós perdemos em beijos e carícias Aninha-te em silêncio junto a mim. O teu toque é o suficiente para ler os teus pensamentos. Fica nua para mim.
Nega que tiveste outros. Mente que sou o primeiro, e que serei o último.
O meu desejo arde como uma ferida a pulsar. Quantas vezes me ausento de mim para te sentir mais longe e a ferida não seja tão dolorosa.
Com tanta contrariedade já mal distingo a cor dos teus cabelos, o toque dos teus dedos, o sabor dos teus lábios.
Mas tu sabes que nunca o esquecerei porque está bem embebido no livro da nossa memória.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009


Amanhã vou marcar uma consulta para dois, pedir comprimidos genéricos a ver se isto passa.
Com as noites de sono que me receitaram já não vou lá. A lista de mezinhas que me ensinaram e que conheço já se esgotou. Preciso de descansar, de paz, tranquilidade e muito amor. Tu careces de reconstruir a tua vida, de te lembrares de quem és, sem que eu esteja por perto.
És livre, digo-te: acredita em mim.
Porque não voas?
Nem que seja para mim!



terça-feira, 25 de agosto de 2009

Uivo


O mar azul emanava o seu odor matinal que lhe invadia as narinas e lhe atulhava os pulmões de ar fresco.
O mar como companheiro dos bons e maus momentos, a testemunha de todos os sorrisos e de todas as lágrimas. Com ele partilhava a dúvida, o gosto da incerteza e o medo do futuro sempre tão incógnito.
Como resposta só obteve a espuma daquela água tão pura que castigava as rochas e invadia o infinito areal. Sentou-se com a cabeça estonteante de vazia.
Olhou para as dunas que pareciam cogumelos gigantes. Quando retomou o olhar apenas descortinou no horizonte uma mulher linda, coberta de branco onde ele se dissolvia numa escolha impossível.
Sentiu os diversos aromas que o cercavam. Como em transe e aos poucos foi-se aproximando e ficou preso aos olhos dela que cheiravam a mar.
Afagou-lhe os cabelos lisos cor azeviche atraindo a sua cabeça para o seu peito e com firmeza entrelaçou-lhe a cintura fina num acto de prazer inimaginável onde a fusão foi possível tão-somente por magia.
O corpo ofegou como um todo e, no mesmo momento em que consumia todo aquele mar, ele, num último uivo lancinante de prazer, espalhou sobre ela as ondas do seu amor.
Naquele silêncio de corpos, um último uivo, dela, fez-se ouvir pela encosta abaixo, no preciso momento em que os primeiros raios do astro-rei começavam de longe, a invadir a velha igreja.