quinta-feira, 1 de março de 2012
Talvez ainda te ame!
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Nunca fui um homem da noite
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domingo, 10 de outubro de 2010
Paradoxo
Se o véu que me tapa os olhos doridos das lágrimas soltas se rompesse, talvez hoje visse a vida a cores, no ecrã cinzento do meu caminho.
Mas que caminho?
Já nada me importa…
Quero seguir a exortação de quem sabe o que fala.
Quero voltar a trás sem cair no mesmo erro, mas sim voltar atrás caminhando, sem me perder…
Ter a coragem para seguir em frente, sem retomar o caminho errado. Tomar o caminho certo que quiçá um dia pensamos não ser o nosso e afinal está ali mesmo ao nosso lado.
Sei que existe um sol azul a meio caminho da angústia tomando a rota do sonho.
Mas o sonho é um vazio de mim, nem existo… como dizes.
Não tenho vergonha de o dizer... e sem vergonha te digo que será o meu derradeiro post.
Não haverá mais guerra. Eu sim, escrevo para ti e sem vergonha, porque o amor deve ser superior a tudo e a todos.
Um beijo para ti...
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terça-feira, 6 de julho de 2010
Utopia de um sonho
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
O reverso da palavra
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domingo, 16 de maio de 2010
Insónia da saudade
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sábado, 5 de dezembro de 2009
Fantasma de mim
O manto branco cobria parte do chão. As primeiras crostas de neve encostadas à berma faziam um improvisado muro branco.
Cai neve no campanário da igreja. Cai neve no meu corpo em flocos de saudades.
Nas árvores à minha frente, o gelo fez crescer as estalactites que derramam água vidrada, gelada, colorida pelos faróis, de carros que perdidos, vagueavam na estrada branca, dando a sensação que velas iam clareando o caminho. Todas estas sensações de momentos ganhos no regelar dos ossos são como espasmos de vontade inata de conquistar o mundo.
Este manto alvo e gelado desce a encosta revestindo a serrania, onde nem as lagoas escapam da brancura.
Abeirei-me da escola.
A porta está encostada, reconhece-se o espaço ali a convocar-nos.
Entrei sorrateiramente, olhei a sala escura. As janelas estão fechadas, a atmosfera é pesada, o quadro preto riscado ao de leve pelo giz alude que estou num templo de estudo. Um espaço sagrado da sabedoria que muitos procuram e nunca vão ter.
Não se vislumbra vivalma. Falsa conclusão. Após os meus olhos se adaptarem à penumbra, encarei com um rapazola sentado no centro da sala. Parecia um espectro preso a uma velha e desengonçada cadeira.
Aproximei-me mais um pouco pois a débil luminosidade podia atraiçoar-me. A custo olho as feições de miúdo enternecido que bem pode esconder um velho de espírito.
Escreve num bloco de capa preta, como se não houvesse amanhã. A mão direita riscando incessantemente a folha ebúrnea. Eram imensas as folhas salpicadas de azul-escuro, uma tinta que carrega o peso da vida, cheia de intencionalidade, de devaneios, os devaneios são a objectividade do que nos apetece, do que nos assola, aquele sujeito sentado na cadeira do centro pensa, sente, arrepia-se, comove-se, e isto é o que ele grava no caderno, não lhe peçam para inventar sentimentos, pedir-lhe isso é pedir que minta, que renuncie à sua própria vida. Aproveitei para espreitar por cima dos seus ombros, saber que coisa tão afincada concebe com toda a sua concentração. Apesar das minhas movimentações, nunca deu pela minha presença.
No topo da folha, em realce, “Se o arrependimento matasse…”, a lengalenga que a professora da primária certamente lhe meteu na cabeça. Fiquei curioso em questionar o que tanto o apoquentava. Mas por receio não o fiz. Mas, sei que responderia asperamente:
- Tudo!
Mas que tudo? Um rapaz que tão jovem parece, o que lhe faltará?
- Falta-me tudo!
Quantos de nós não sofremos deste “Falta-me tudo!”?
Tu, não? E tu?
Sim! Claros, todos já sentiram esta dubiedade.
Sem nada que o fizesse prever, uma tomada de consciência rebenta com a bolha da criatividade que o envolve, e soltam-se lágrimas das suas vistas que gotejam suavemente como um fio homogéneo e incolor, purificando o tumulto, a este pobre rapaz que por casualidade não foi brindado para assinar o tratado das paixões das almas.
Certamente que está ainda para vir a sociedade que agrade a todos, que pense nisso quem tem tempo para utopias, para sonhos desmedidos e hiperbólicos, porém que seremos nós sem os sonhos a não ser cadáveres conscientes, gente viva com coração de morto? Pelo menos quem se arrepende vive.
Mais uma vista de olhos no caderno preto do enigmático:
- As minhas desculpas aos meus sonhos imperfeitos. As minhas desculpas a todos os que magoei e vou magoar.
Da mesma forma irreflectida levanta-se, abre as janelas do mundo, e respira o ar maligno do arrependimento.
Senta-se mais uma vez, e mais um vez, na folha de papel:
- Como estou arrependido mãe.
Arrasta a cadeira de rompante, enquanto se dirige ao velho quadro. Trespassa como por sortilégio a ardósia negra, fazendo-o vibrar num alucinante e estridente som que se propaga pelo oco da sala. Observei estupefacto a tatuagem no negro do quadro vincada em linhas brancas de desilusão.
Muitos anos já correram, imensos nevões fustigaram o campanário da igreja, muitos flocos de neve escorreram pela minha face afogueando-a de saudades.
Hoje, em pleno mês de Novembro penso que esse rapazola era eu. Que transpus, através do quadro, para o presente os medos de criança, os fantasmas que sempre pressagiei.
- As minhas desculpas a mim mesmo.
Postado por Sonhadoremfulltime às 00:47 4 comentários
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Que vida...
Sentei-me num canto onde a penumbra me protegia e varri o olhar pelo espaço.
Naquela sala, os olhares arregaçam-se para um destino, o silêncio das mãos impera. Ouve-se o cantar das chávenas de café que nos assaltam a vontade e o desejo.
A saia raiada da lua entra pela janela e dá energia suficiente para que o meu pensamento arranque na observação dos sentidos.
As pessoas, na maioria idosas, confessam a sua vida como o seu último segredo. Os que ainda estudam, concluem apontamentos para o trabalho que lhes compete apresentar. Depois há as Brasileiras que se encostam ao mármore do bar e conversam com aquele seu jeito que faz nascer um sorriso até ao mais sisudo dos seres. A espera pesa nas pernas, pesa nas pálpebras. Todos são da mesma opinião, o dia nasceu muito frio, mas a lua já brilha para derreter a neve que pernoita nos olhares desta gente.
Que vida…
Postado por Sonhadoremfulltime às 23:24 6 comentários
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