domingo, 18 de setembro de 2011
A ÚLTIMA DAS AMANTES
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Red Rain
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Alguém que me faz falta
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Paixão boémia
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Paroxismo de momentos
Momento inicial
Tenho despertado com uma dor no peito e uma agonia indisfarçável.
Não tenho vontade de fazer nada. Não tenho vontade de viver.
Estou triste e gostaria de ficar só.
Afasta-te sombra do infortúnio, única que me amas e segues.
Só não sei, se este é um caminho sem retorno.
Momento da catáfora
A sombra negra na coluna de mármore à minha espera.
Dás-me dois beijos e caminhas em direcção ao sol.
Vejo-te a subir o passeio e cada vez mais longe, pequenina.
Eu e a sombra negra de mão dada na penumbra.
Senti um algor desmesurado nos ossos, mas não pensei.
Perguntei-me e respondi:
“Olhas-te para trás? Eu, não.”
“Olho, agora.”
Momento mate
O vento quase que tudo levou. Interrogo-me porque não a mim?
Farei parte de algum resto com que o infortúnio me afortunou?
Ou será castigo que o acaso me ofereceu?
Choro lágrimas pálidas de medo.
Descanso meu corpo esgotado, vergado e doente.
Se morrer, morro, porque sem amor não sou gente.
Momento do purgatório
O meu destino tem sido como um cão repleto de raiva.
Persegue-me como louco rosnando ao passar dos meus passos.
Nos sulcos de um tempo longo, infértil e matreiro.
Quero fugir dele, quero passar-lhe ao lado, porque me aferra, mas acabo sempre nos seus tenebrosos braços.
Momento terminal
Eu não sou poeta, sou simplesmente sonhador.
Arrumo nas linhas dum livro imaginário as palavras dos meus sonhos.
Sem grandes ornamentos e complicações, pois surgem do fundo do coração.
Na ilusão deste sentimento, escrevo para que possa existir, ter vida.
Deixa-me ser apenas como aquela página que não foi lida.
Agora, só me resta gravar as palavras num raio de sol, e imprimi-las todas as manhãs no brilho de um sorriso dos lábios de uma criança.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Ter consciência dói
Quero lá saber de rimas.
Também não existem duas árvores iguais.
Penso e escrevo como a variedade das flores que encontro no campo.
Olho e comovo-me quando aprecio a mistura de cores que delas brotam.
Olho e comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado.
Olho e comovo-me quando olho para o branco do papel tingido por rasgos negros feitos com a minha mão.
Quero escrever de forma natural como a brisa que me afaga o rosto.
Quero ser livre como a água que corre no chão oblíquo, quero ser livre de mostrar a cor da minha alma.
Quero ser livre como o lácteo da folha de papel.
Quero ser livre como a brisa que se levanta ao fim da tarde no estio.
Mas, sinto-me preso como um pássaro sem asas, preso ao chão com amarras.
Sinto-me preso por querer voar e não poder.
Quero correr, quero fugir daquela parede bege que me sufoca com a falta de ar que me faz pesar os alvéolos. Magoa quando respiro.
Hoje, vou saltar pela janela e correr para longe, sem olhar para trás.
Sei que a vida ainda me espera. Só que quanto mais vivo, menos me conheço!
O meu interior é compartilhado, talvez seja por muitos, ou por ninguém.
Mas certamente serei alguém que não é de ninguém.
Habito dias tranquilos, outros como o mar revolto.
Momentos em que me sinto forte, outros em que me sinto carente. Mas mesmo assim, sou gente.
Quero descobrir quem sou. Sei que é deveras complexo, porque quanto mais me procuro, menos me descubro. Muitas vezes apaixonado, outras vezes na solidão do só.
Eu que não sou um homem de fé perdi a fé nos homens, perdi a fé em mim.
Porque sou diferente da maioria? Chega! Vou fazer como toda a gente.
Não suporto mais. Não quero saber de mais, porque a vida não foi feita para se viver assim.
Não me interessa se um dia morro à fome. Não me importa saber do papelão e do cobertor que vi há pouco no chão à porta da pequena capela.
Já não me indigno por saber que vivemos num mundo injusto.
Desisti. Não quero saber. Não quero saber do espoliado, do sofredor. Quero ser igual aos outros. A partir de hoje encolho os ombros e não quero mais saber. Afinal quem por mim sofre?
Quem em mim pensa? Tu? Ou tu?
Ninguém me responde. As respostas seriam certamente as mesmas de sempre. Os pensamentos iguais e à tua semelhança.
Será sacrilégio perder a fé? Isso importa? Fará de mim um homem mais feliz?
Não sei, não quero saber e não quero acordar.
A realidade magoa. Não quero sofrer mais. Não quero ter consciência.
Porque ter consciência dói.
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sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Vou dormir
Vou dormir. São horas de entrar no mundo que me é tão querido, o dos sonhos. Apago primeiro a lamparina da lua que ainda vagueia feita tonta, pelas paredes do quarto.
Vou dormir. O amor promove por mim a dicção do sangue que me percorre nas veias.
Vou dormir. Despeço-me com uma carícia do livro que tenho na cabeceira, que me vigiará os sonhos, para que não sangre como um homem incapaz e obscuro, que não beba o sal e o fel do homem solitariamente demente.
Vou dormir. O corpo necessita morrer por algumas horas, longe da dúvida que me habita no dia. E, na cegueira do céu, as pálpebras cerram-se, os ossos estalam pelo peso dos anos que já me afloraram o corpo. Ardo serenamente em fogo lento e abraço-me no grito mudo do homem marginal.
Vou dormir. Um caderno branco permanece aberto como um barco à beira dos frescos frisos da escuridão e como cego quebro-me por inteiro contra o muro da indiferença.
Vou dormir. Adormeço, sonho e vejo-te a sorrir como uma rosa a florir. Deixo-me ficar parado ao teu lado a observar-te como um anjo, que apenas te ama.
Vou dormir. Mesmo que seja apenas o sonho imaterial, mesmo que seja só a palavra calada, e que me negue ao poema sem valor digo-a aqui com voz em segredo, longe dos teus olhos e da tua respiração: “Existes em mim!"
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Sonhos meus...
Transmitem escárnio como a Gaivota de Tchecov, são santos e pecadores como o crime do Padre Amaro e por vezes sedosos e azulados como as lágrimas límpidas do Tamisa.
São gritos à autonomia e à liberdade apregoados por Leminski e, parecem um arco-íris como os olhos de Natassja Kinski.
Devassos e lascivos como as Memórias de Uma Moça bem-comportada contados por Simone Beauvoir.
São corpos nus soltando flechas de cupido em busca de Musas e Graças e esculpidos em gelo por tesouras mágicas nas mãos de Eduardo, como num conto de fadas da minha meninice.
São simplesmente sonhos
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
Ouve
Escuta comigo os carros lá fora, as luzes a entrar pelas frinchas da janela, as prostitutas em cada esquina gastas do amor.
Ouve os gatos a lutar por não terem quem os ame.
Ouve as pessoas que dormem na rua porque ninguém se importa com as saudades que elas sentem de casa sem poderem voltar atrás.
Ouve a autoridade que oprime o espírito humano, a verdade que é varrida para as sarjetas.
Ouve igualmente os pervertidos que espiam jovens para se masturbarem atingindo desta bizarra forma a satisfação.
Ouve os corações destroçados das pessoas que respiram morte, que vendem a vida e deixam as sobras nos transportes.
Ouve como a insanidade cresce a cada minuto, as doenças aumentam, e o amor diminui.
Ouve a inveja dos egoístas que apenas se contentam com o teu infortúnio.
Ouve, não estás contente de estar aqui deitada comigo?
Texto: JC
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Porque me fizeste nascer?
E quão difícil é nascer. Se o soubesse teria recusado a tal, e permaneceria para todo o sempre no teu doce e aconchegado ventre de mulher, minha mãe. Aí senti-me sempre seguro e protegido. Era eu, o genuíno, o verdadeiro embrião que se recusava a germinar.
Que doloroso é nascer, minha mãe.
Devias ter-me sussurrado, qual mundo me aguardava. Sim! Eu sempre te ouvi.
E quando tu prenhe, eu te ouvia cantar a “Senhora do Almortão”, sentia-me calmo, embalado e adormecia ao som da tua voz terna e confiante.
Mas devias ter-me alertado, como é complicado vir ao mundo.
Sabes mãe, o tempo é como um predador que corre atrás da sua presa e quando dei por mim, a lei da vida fez-me ver que já não era mais aquele menino que acariciavas e protegias.
Tornei-me homem rápido, ou melhor, um menino mais crescido, porque sempre segui fielmente os teus mandamentos e a minha essência ainda sonha e acredita neles.
Mas, quando neste menino surgiram os primeiros cabelos brancos, olhei por cima do meu ombro, e a saudade alagou-me o coração.
Devias ter-me dito que é difícil nascer, complicado crescer e insuportável viver.
Ainda ontem lembrei com certa nostalgia, aquilo que me dizias “filho, nunca cobices o que é dos outros.” Mas uma coisa é certa minha mãe, apenas tu me o dizias e ainda hoje me o dizes de modo diferente, mas eu continuo a compreender-te.
Sabes mãe, não vejo ninguém fazer o que me ensinaste. Não! Verdade! Sabes, não é este mundo que esperavas, que desejavas e enfatizavas.
Neste, no real, o caminho é longo, a estrada parece não ter fim, a jornada cansa. É uma estrada muito longa que me esgota cada dia que a percorro.
Sou uma flor fora de estação, uma árvore com as raízes soltas da terra que a alimenta, um planeta sem órbita á deriva em busca de um lugar, uma estrela que ofertou o seu brilho, enfim um homem perdido neste tempo e neste espaço.
Se eu pudesse perguntar ao tempo se ainda tenho tempo de esperar, de sonhar e de amar sem o tempo me levar? Mas, o tempo não tem tempo de esperar, de sonhar, nem de amar só tem tempo de passar.
E com o seu passar, vestiu-me uma máscara de desilusão, que tornou os meus olhos tristes.
E tu sabes que depois de tristes surgem e escorrem lágrimas quando vejo crianças que sofrem sem culpa, que morrem sem compaixão, doentes sem perdão, pergunto-me...
Postado por Sonhadoremfulltime às 23:08 0 comentários
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
Faz-me bem
Talvez a tomar um café sozinha num qualquer local, ou então em casa perdida a fazer zapping na tv enquanto enganas o sono que já chega...
Faz-me bem agora antes de me deitar imaginar-te, ver-te assim com um olhar incompreendido repleto de aragens vãs, com as mãos pousadas ao longo do corpo fraco...ver a tua boca seca...
Faz-me bem saber que estás sozinha a sentir a minha falta mas, ao mesmo tempo fico com vontade de ir até aí, encostar o meu corpo ao teu para me abraçares, ficar a beijar-te até o sono chegar e depois ir deitar-me contigo... dormir junto a ti nessa magia tão nossa.
Faz-me bem agora esta lembrança antes de adormecer em paz, antes de deixar o corpo tombar-se para o lado e meter-se ao acaso pelo mundo dos sonhos.
Faz-me bem!
Postado por Sonhadoremfulltime às 22:36 3 comentários
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quinta-feira, 23 de julho de 2009
Só sei que nada sou e serei
Desejo sentir o teu rosto no meu, e ouvir a tua voz que sussurra nos meus ouvidos.
Sentir a tua pele colada à minha, e ficar assim, abraçado na penumbra a falar dos nossos sentimentos, das nossas emoções.
É bom deixar que as nossas mãos nos explorem até a epiderme se arrepiar com lentidão, até a calma virar desejo.
Sentir o toque dos teus lábios nos meus como um fogo ardente que consome o meu âmago.
Necessito abraçar-te e não me sentir perdido na solidão que me consome.
Despir-me e deitar-me sobre o teu corpo como um simples hóspede, como um tempo passado, uma lembrança vaga, uma saída delineada. A minha pele dorme e mora nas tuas mãos. Sobre a memória do meu corpo persiste ainda a memória das tuas mãos a devassar inconfessáveis anseios, gemidos que ferem o perfeito silencio. A tua presença pressentida desarruma a nossa rotina.
Mas, quem sou eu? Eu sou quem sou, e sou como sou. Tenho percorrido caminhos longínquos que o destino me tem reservado.
Confesso ser forte por fora na minha aparência, fraco por dentro, mas com paciência.
Mas não me deixes só porque não posso viver sem ti e o meu coração será apenas pó.
Por favor, preciso de ti. Olha para mim, não vês que sofro?
Tu és aquela luz que me ilumina os caminhos por onde ir, a vida certa, perfeita e me transmites a confiança e a razão para não me matar.
Desejo-te quando não te posso ter!
Odeio-te quando mais te desejo.
Quando a neblina da tristeza me invade, as palavras choram, as lágrimas caem. São sentimentos que no coração moram e que quando do coração saem, são palavras que lacrimejam.
Quero ser o que realmente sou, ou ser o que realmente não sou?
No entanto ser o que sou é excluir aquilo que não sou.
Então, como poderei saber que sou aquilo que não sou, se poderei sê-lo?
Só sei que nada sou e serei.
Postado por João Cordeiro às 22:23 3 comentários
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quinta-feira, 16 de julho de 2009
Destino?
Até a noite tomba onde não me encontro. É como uma anedota contada por cima de muitos copos de Super Bock, no fim de uma tarde estival.
No entanto quando a noite arrolha a tarde, uma brisa fria obriga ao casaco e, depois de estender o olhar uma última vez sobre Lisboa e o Tejo é hora de voltar a casa. E quando chega a hora, é muito mais fácil quando conhecemos tudo, sabemos o caminho, observamos os sinais e a estrada não é enganadora, mas a viagem tem mais sabor quando cada encruzilhada é uma incógnita e o destino, um indecifrável enigma.
Mas dizem que a noite pode ser assim muitas coisas, pode ser um castigo ou pode ser um bálsamo. E sempre que me vejo nessa incerteza nocturna, eu afasto-me das luzes e corro, corro muito pelas artérias de laje dura, corro a noite toda às voltas tentando encontrar-me.
Mas eu existo? Já não sei. Estou consumido. Dei-me sempre mais do que podia.
Antes, a solidão vergava-me, mas com o rolar do tempo povoei-a com alguns sorrisos, com uns pequenos e acanhados gestos de cabeça, que aderem à mente, e me dizem que ainda existo, que continuo vivo e que ainda pressinto o coração a afoguear aqui dentro do meu peito. E quando o silêncio se cala de vez, ele bate e eu oiço.
É tudo o que podemos ganhar quando se aprende a estar sozinho, tem-se tudo e não se possui nada.
Se morresse agora não deixava nada, porque bebi toda a minha sede, esvaziei-me, devorei noite após noite com o amargo que têm as coisas antes de nos pertencerem.
Sou um corpo que se evita, um homem cujo nome se arruinou no trilho do tempo.
Penso mesmo que o meu corpo vive hoje dentro do espelho, onde se perdeu o teu. Percebo que troquei um futuro mais que perfeito por um presente indicativo, só não entendo o que foi obra do destino, ou aquilo que foi intencional.
Julgo que foi, é e será sempre a incógnito da vida que nos conduz. A sorte é não lhe conhecermos o trilho.
Postado por João Cordeiro às 22:09 1 comentários
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Oásis de amor

Quero que me faças suspirar, de paixão, desejar, suplicar por mais, enfim gritar o meu nome quando estiver em ti.
Quero que sejas a minha montada e que me leves a percorrer o teu corpo como se ele fosse todo meu.Quero-te ouvir gritar, olhar o teu rosto em êxtase, penetrar nos teus olhos que envolvem os meus com os tentáculos da paixão.
Quero ser teu hoje, agora, e perder-me num oásis do deserto do teu corpo, onde poderei finalmente saciar a sede que me emprenha o meu ser.
Texto: JC
Imagem: Crystal
Postado por João Cordeiro às 21:47 1 comentários
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quinta-feira, 9 de julho de 2009
Amor Reflexo
Por vezes não me suporto. Não me quero ver e cerro os meus olhos marejados de lágrimas que não vivem. Estão extintas de tédio, pois surgem-me diariamente.
E tal como estas lágrimas, o descontentamento invadiu-me a existência.
E o tempo não sara os estigmas do amor… principalmente se sopra e nada nos verbaliza. Passa por nós como um tornado que nos destrói a vontade, o querer… e eu fico prostrado como que atingido por uma abulia.
Por que é tão difícil fazer-te sair da minha vida?
Quando mais quero esquecer, mais as coisas que me rodeiam fazem recordar-te.
Ao matutar nos anos que já nos conhecemos e por aquilo que já passámos, as lágrimas caiem-me pela face como água límpida duma copiosa cascata.
Certos dias doem-me os olhos do pensamento, a cabeça de muito querer ver como te via.
Não gosto, nem quero pensar, que tudo foi em vão, porque sei que não foi.
Mas então, porque acabamos sempre por pôr um término ao que temos?
Sou insuportável, tu és intolerável. Existe entre nós uma sinestesia de corpos e pensamentos que não destrinçamos, com medo de deixarmos de existir. Como se eu te dissesse ao ouvido inspira, agora expira; como se me ensinasses tudo aquilo que sou e levei anos a edificar.
Não sou ninguém sem ti; tu recusas a sê-lo sem mim. Precisas de mim na mesma proporção em que preciso de ti.
Sei o quão doloroso é tentar esquecer-te e tentar apagar-te da minha vida... já o tentei uma vez, duas, três… não consegui e o resultado foi o que sabemos.
Não te quero apagar integralmente da minha vida... comportas ainda todas as recordações, das quais não quero abdicar.
Mas estas lembranças são demasiadas, e vão-me roendo por dentro.
Já, por várias vezes, pensei que és como um vício... e volto a considerar essa ideia.
E como viciado que sou, não consigo desintoxicar-me de ti... cheguei a um ponto em que te encontras completamente impregnada em mim, na minha mente, no meu sangue, no meu ser...
Nas minhas veias não corre sangue, circula ácido que me queima a alma, que me incendeia o coração num fogo-fátuo porque o sinto em putrefacção.
Já o não sinto dentro de mim, entreguei-o por vontade, por paixão. Sinto-me um infecundo da paixão, quiçá da alegria, imaginação ou até de mim.
Magoo-me tanto.
Magoei-te a ti.
E pior ainda, magoei outros.
Não sei que seria o mais adequado a fazer agora... se ficar, ou partir para outra...
Uma parte de mim quer isso... mas a outra parte agarra-se de unhas e dentes a ti...
Porquê?
Diz!
Não sabes!
Não sabes, mesmo?
Eu também não!
E te tanto tentar perceber aquilo que sou, sinto cansaço de tudo.
Principalmente de mim!
Postado por João Cordeiro às 23:11 0 comentários
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