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Mostrando postagens com marcador Poemas Amor. Mostrar todas as postagens
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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Saudades de mim





Quantas as saudades que já sinto de mim.
Tanto tempo perdido que já não sei se sofro o que vivo, se não vivo o que sofro.
Porque me perco, quando estou tão perto de me encontrar?
Porque permaneço sempre na berma vazia da estrada?
Quanta a nostalgia de sentir aquilo que quero ser.
Por que me perco quando pensei achar-te?
Perco-me de mim, de ti, da vida e do meu sonho e fico prisioneiro neste restrito pensamento.
Quantas as noites gastas a soletrar cores que não vejo, a cheirar odores que já não sinto.
Quantos dias consumidos a silabar o teu nome que não conheço?
Deixo cair do rosto vadio gotas de pensamento e aromas de ilusões dissolvidos.
Sei que me perco como criança distraída, nos meandros dos meus sentires.
Não quero que a cruel tristeza me trespasse como uma extrema violação.
Quero de novo encontrar a essência de sorrir, de viver, de amar.
Vou esperar pela noite que irá chegar, enlevar-me em mim, deixar-me embalar pelo brilho das estrelas, beijar a lua que me acompanha e quem sabe aguardar pelo sol furtivo do amanhã e quiçá me encontre dentro do meu corpo.



quinta-feira, 15 de julho de 2010

Semente



É possível

Que a memória se apague…


É possível

Que chegue o perdão...


O que não será possível

É que cada um

Não receba,

Na medida exacta,

O fruto correspondente

À semente que lançou à terra…


Eu estou preparado...





domingo, 9 de maio de 2010

Lágrimas de sangue



A anódina das tuas palavras corta-me o coração às fatias,

na réstia de amor que a distância nos permite manter.

O dia nasceu num choro compulsivo, como o meu coração.

No rosto apenas as marcas da desilusão.

O que me sai da alma e me corre pelo rosto,

é a demonstração corpórea do que temos.

São lágrimas de sangue o que choro,

lágrimas levadas pelo mar e corroídas pelo tempo!

E o tempo começa a comprimir demasiado.

Hoje perdi uma asa no meu voar.

Não quis voar até ao altar que me esperava.

Quem sabe se perdi mesmo a capacidade para voar?

Que importa se já nem voar me dá prazer…

quarta-feira, 31 de março de 2010

Rosto



Entre as veredas de um jardim antigo
Tenho um rosto guardado num canteiro
Que rego com as lágrimas da descrença
Os seus olhos são amaciados pela noite
Desenhados outras vezes pelo sol
Rosto que foi o primeiro e derradeiro comigo.



Foste como a imagem de pedra nos olhos da terra.
Foste como a imagem da poesia para os bêbados e poetas.



Foste como uma porta a abrir
Uma janela a fechar
Uma flor a florir



Outros rostos impedem-me a viagem
Mas nenhum me convence
Enquanto não der pela passagem
Do rosto que não sei a quem pertence
E que nunca fez parte da minha paisagem.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Testamento



Quando eu morrer
enterrem o meu coração
por baixo de um velho castanheiro

Quando eu morrer
ofereçam os meus pés
ao pobre que caminha

Quando eu morrer
façam das minhas mãos remos
da barca pobre

Quando eu morrer
ofereçam a luz dos meus olhos
ao faroleiro daquele molhe no mar

Quando eu morrer
o que sobrar
pode ficar ai a apodrecer


24-03-2010

domingo, 10 de janeiro de 2010

O homem que jamais alguém descobriu



Quero peregrinar!
Talvez fugir para parte incerta e distante onde ninguém me possa achar.



Tentar polir um par de asas e levantar voo no firmamento.
Deixar-me ir como uma andorinha migratória que segue uma nuvem com alegria e alento.



Quero esquecer, fugir, quero abrir os olhos e não ver o presente, desmaiado e vulgar.
Quero absorver e viver o futuro de maneira que me sorria para o poder pintar.



Vou fugir, vou viajar, vou sair. Vou arrancar raízes profundas ir. Vou caminhar
ao encontro do teu ser, do teu corpo, do teu rosto a sorrir.



Mas, quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti.
Cobre o meu corpo frio com um dos lençóis que alagamos de seiva dos beijos ardentes e leva-o para uma praia junto ao mar, onde possa ser apenas mais um poema, como esses que te escrevi.



Planta à minha volta uma fiada de rosas brancas em recipientes mornos,
e um cordão de árvores que perfurem a noite, porque a morte deve ser clara como o sal na crista das ondas, e a cegueira assusta com seus contornos.



Quando eu morrer, deixa-me a ver o mar do alto de um rochedo e não chores, nem toques com os teus lábios a minha boca fria.
Promete-me que rasgas os meus versos em pedaços tão pequenos que se percam, numa suave apatia.



E não esqueças de os lançar no retiro do oceano para que se alguém os enxergar de longe julgar serem flores que o vento despiu.
Ou uma simples estrela que pinga luz de amor, uma lágrima de sol, quando na realidade é apenas um homem que jamais alguém descobriu.


2010-01-010

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Em todas as ruas te encontro


Em todas as ruas te encontro

em todas as ruas te perco

conheço tão bem o teu corpo

sonhei tanto a tua figura

que é de olhos fechados que eu ando

a limitar a tua altura

e bebo a água e sorvo o ar

que te atravessou a cintura

tanto tão perto tão real

que o meu corpo se transfigura

e toca o seu próprio elemento

num corpo que já não é seu

num rio que desapareceu

onde um braço teu me procura


Em todas as ruas te encontro

em todas as ruas te perco.



Mário Cesariny, in "Pena Capital"

domingo, 13 de setembro de 2009

Fantasia



No conforto da minha fantasia te traço os lábios.
Na incandescência da paixão esqueço o tempo,
Calo a minha boca colada na tua,
Silêncio e seda inventadas numa folha de papel.
Invento o momento,
Diluo as minhas mãos na tua pele rosada
E sorvo-te num impulso!
Guardo o pensamento na gaveta dos nossos segredos,
Derramo-me na nascente da tua fantasia,
Traço o meu devaneio na recordação de palavras escondidas
E espero-te as mãos e o corpo na minha ilusão!
Na minha noite que não chega, cheiro-te a ausência,
O segredo e os murmúrios soltos...
Abafa-me em toques de carinho, ousa...
Toca-me a pele, desliza por ela, sedenta de ternura.


Imagem: Google

domingo, 16 de agosto de 2009

Vem!


Vem ternamente trazer-me o teu coração, anda que a noite é calma e hás-de dar-me razão. Vem devagar, pé ante pé, sem medo. Dou-te a mão no escuro. Amo-te em segredo.

Tenho medo!

Não tenhas, hei-de dar-te o mundo hoje.

O mundo?

O mundo inteiro que trago no coração!

Choro compulsivamente a alma tem destas coisas, choro porque sei que longe ou perto estaremos sempre unidos.

Vem hoje ainda em rebate trazer-me o teu coração, porque quero ter-te aqui na minha frente para chorar a olhar-te. Quero ter-te só por um instante e sentir-te a olhar-me. Quero-te ainda aqui... e aqui estás... porque o querer é magia!
Vem!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

No colo do vento


Deito-me no colo do vento, aconchego-me e sulco o seu peito de mel, sossego a calma e a ânsia que à muito me aflige.

E na planície do jamais, caminho de mãos dadas com o fogo do teu corpo!

Perco-me na chama das tuas palavras, bebo a tua língua nas palavras de amor que me dás!

Salpicas-me a alma de manhãs de nevoeiro, que traça em mim êxtases fabulosos de céus murmurando em uníssono.

Carinhos e destinos traçados além!

Corro à desfilada no teu verbo,

Abraço o teu desejo,

Mas não te encontro... como nos meus húmidos sonhos.




segunda-feira, 13 de julho de 2009

Noite


É noite cerrada na minha alma de farrapos rasgada de dor

Noite cerrada como breu que não me permite olhar-te

Noite sem estrelas cintilantes que me alegram os olhos lacrimejantes de saudade de ti

Noite sem gesto de ternura que é consumada pela mão do teu ser de mulher

Noite sem ti no meu corpo vazio de sentimento e tão repleto de paixão

É noite cerrada na minha alma

Noite... e nada mais!


Escrito numa noite comum… e nada mais!
JC
Imagem: Google

domingo, 12 de julho de 2009

Quando


Quando as minhas mãos te tocam, sinto um corpo em êxtase, um corpo ardente de desejo.

Quando as minhas mãos te tocam, sinto que te ilumina a alma, o coração e o querer.

Quando te abraço, são dois corpos unidos pelo anseio da união.

Dois corpos que tremem de sofreguidão, de amor, que enlouquecem pela hora que não se vislumbram.

Quando te toco sinto o teu vibrar como se fosse a primeira vez.

Quando te abraço, sinto o palpitar de dois corações que em uníssono clamam pelo amor, pelo desejo.

Sinto embebido em mim o teu calor, o teu cheiro, a tua presença.

Quando nos acariciamos, deixamos cair no chão a máscara do dia e ficamos despidos de preconceitos, como dois inocentes que nada mais vêm, que a paixão.

Ao beijar-te sinto-te em mim.

Sinto-te na sensualidade que tão bem demonstras.

No azul do céu, no azul do mar; cor azul que penetrou no meu coração como uma seta mordaz, que me fere de desejo.

Ontem amor… ontem consegui chegar ao azul celeste, com os teus lábios e língua de amante impiedosa.

Ficaste com o sabor doce do sémen que te dei de paixão.

Depois saboreamos ambos nos teus lábios o sabor da vida…

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pinto-te


Pinto-te em letras escarlates,
Saboreio-te em traços de acasos mirabolantes
E segredo-te indecências brilhando no escuro!
Pingo-te nos olhos ternuras e sonhos,
Espreito por eles a tua alma,
Descubro emoções,
Incendeio-te o íntimo...
Entranho-me na tua pele,
Esqueço a tua tela,
E deixo-me consumir no fogo que ateei!

Escrevo-te os desejos,
Amanheço-te a fantasia
E encanto-te as noites de gélidas de amor.
Pintura: Fernando Barbosa

domingo, 5 de julho de 2009

Nu só para ti


Afundo os meus dedos em ti,

Os meus olhos nos teus...

O calor doce,

A tua língua

Em mim...

Fundo o meu cheiro no teu,

O meu sabor no delírio de um beijo!

E a chama dos sentidos,

Emoções a corar ao sol,

Desfaz-me o corpo de encontro ao teu...

Mergulha no meu sal,

Na minha água e na minha espuma...

Embala o teu corpo no meu,

Amacia a tua pele na minha água de rosas...

Que freneticamente preparei para ti.

E quando a penumbra que nos namore o banho

Se estender pelo delírio de valsas e tangos

A paixão encerrará em cofre de seda a tua voz,

A chave mergulhará no tempo!

Apenas as tuas mãos a saberão usar,

Em noites de lua cheia,
E banhos de espuma enluarada!

Nu só para ti!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Quero-te em mim...



Amor… vê como chove, neste fim de noite


As gotas invadem a minha ingénua alma


Numa longínqua saudade, onde te recordo,
Onde relembro momentos,


De ti em mim, de nós


Meus olhos encharcados,


Não sei se de lágrimas,


Ou pela chuva molhados, querem buscar teu rosto, teus olhos e sorriso
Ainda que sofra, preciso cada dia que passa mmais e mais de ti.


Vivo obcecado pelo desejo, de te querer em mim.


Espero-te, com o nosso terno beijo...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Louco amor

Gosto de amar de olhos cerrados, porque me disseram que o amor é cego e que os olhos
nada vêem. São cinzas flamejantes a gotejar em cada palavra que desagua firme no
lodo translúcido do que sinto.
Gosto de amar ao sol, porque o amor é fogo e nas sombras das vielas esquecidas, os amantes morrem de frio brando, de coração gélido, de alma glacial.
Gosto de amar no campo trigueiro, porque o amor é uma semente de girasol, onde poisam delicadas borboletas, de sedosas asas brancas, num discreto lírio cor de marfim.
Gosto de amar perdidamente, porque o amor é louco e insano como eu.