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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Traição de Psiquê


Na tarde do passado sábado, tive o prazer de conhecer (ou rever) 13 dos autores que participaram no Projecto A Traição de Psiquê.

Apesar do mau tempo, o auditório da Biblioteca encheu e procurámos dar à cerimónia a dignidade que a colectânea merece.
Seguidamente, teve lugar uma tertúlia subordinada ao tema do amor e do erotismo, da responsabilidade da Argo, nossa parceira, neste projecto, à qual alguns dos nossos autores e convidados assistiram e/ou participaram.

Aos autores presentes foram entregues os livros. Hoje, entretanto, fizemos seguir os restantes livros e documentos legais para os autores que não puderam estar presentes. A correr bem, livros chegarão entre 4ª e 5ª feira. Os portes estão pagos e, tal como se disse, oferecemos um outro título da nossa colecção de poesia.


Informamos, ainda, que, no final do mês de Janeiro, iremos seleccionar 10 livrarias, em Portugal, para onde enviaremos alguns exemplares de A Traição de Psiquê.
Com os melhores cumprimentos e gratos pela participação neste nosso/vosso projecto,

João Carlos Brito, editor




PS: Recebido por e-mail

sábado, 5 de dezembro de 2009

Fantasma de mim


Corria célere o ano de 1968. O mês de Novembro tremia com frio e com ele a escola primária da minha aldeia tiritava com o nevão das últimas horas.
O manto branco cobria parte do chão. As primeiras crostas de neve encostadas à berma faziam um improvisado muro branco.
Cai neve no campanário da igreja. Cai neve no meu corpo em flocos de saudades.
Nas árvores à minha frente, o gelo fez crescer as estalactites que derramam água vidrada, gelada, colorida pelos faróis, de carros que perdidos, vagueavam na estrada branca, dando a sensação que velas iam clareando o caminho. Todas estas sensações de momentos ganhos no regelar dos ossos são como espasmos de vontade inata de conquistar o mundo.
Este manto alvo e gelado desce a encosta revestindo a serrania, onde nem as lagoas escapam da brancura.
Abeirei-me da escola.
A porta está encostada, reconhece-se o espaço ali a convocar-nos.
Entrei sorrateiramente, olhei a sala escura. As janelas estão fechadas, a atmosfera é pesada, o quadro preto riscado ao de leve pelo giz alude que estou num templo de estudo. Um espaço sagrado da sabedoria que muitos procuram e nunca vão ter.
Não se vislumbra vivalma. Falsa conclusão. Após os meus olhos se adaptarem à penumbra, encarei com um rapazola sentado no centro da sala. Parecia um espectro preso a uma velha e desengonçada cadeira.
Aproximei-me mais um pouco pois a débil luminosidade podia atraiçoar-me. A custo olho as feições de miúdo enternecido que bem pode esconder um velho de espírito.
Escreve num bloco de capa preta, como se não houvesse amanhã. A mão direita riscando incessantemente a folha ebúrnea. Eram imensas as folhas salpicadas de azul-escuro, uma tinta que carrega o peso da vida, cheia de intencionalidade, de devaneios, os devaneios são a objectividade do que nos apetece, do que nos assola, aquele sujeito sentado na cadeira do centro pensa, sente, arrepia-se, comove-se, e isto é o que ele grava no caderno, não lhe peçam para inventar sentimentos, pedir-lhe isso é pedir que minta, que renuncie à sua própria vida. Aproveitei para espreitar por cima dos seus ombros, saber que coisa tão afincada concebe com toda a sua concentração. Apesar das minhas movimentações, nunca deu pela minha presença.
No topo da folha, em realce, “Se o arrependimento matasse…”, a lengalenga que a professora da primária certamente lhe meteu na cabeça. Fiquei curioso em questionar o que tanto o apoquentava. Mas por receio não o fiz. Mas, sei que responderia asperamente:
- Tudo!
Mas que tudo? Um rapaz que tão jovem parece, o que lhe faltará?
- Falta-me tudo!
Quantos de nós não sofremos deste “Falta-me tudo!”?
Tu, não? E tu?
Sim! Claros, todos já sentiram esta dubiedade.
Sem nada que o fizesse prever, uma tomada de consciência rebenta com a bolha da criatividade que o envolve, e soltam-se lágrimas das suas vistas que gotejam suavemente como um fio homogéneo e incolor, purificando o tumulto, a este pobre rapaz que por casualidade não foi brindado para assinar o tratado das paixões das almas.
Certamente que está ainda para vir a sociedade que agrade a todos, que pense nisso quem tem tempo para utopias, para sonhos desmedidos e hiperbólicos, porém que seremos nós sem os sonhos a não ser cadáveres conscientes, gente viva com coração de morto? Pelo menos quem se arrepende vive.
Mais uma vista de olhos no caderno preto do enigmático:
- As minhas desculpas aos meus sonhos imperfeitos. As minhas desculpas a todos os que magoei e vou magoar.
Da mesma forma irreflectida levanta-se, abre as janelas do mundo, e respira o ar maligno do arrependimento.
Senta-se mais uma vez, e mais um vez, na folha de papel:
- Como estou arrependido mãe.
Arrasta a cadeira de rompante, enquanto se dirige ao velho quadro. Trespassa como por sortilégio a ardósia negra, fazendo-o vibrar num alucinante e estridente som que se propaga pelo oco da sala. Observei estupefacto a tatuagem no negro do quadro vincada em linhas brancas de desilusão.
Muitos anos já correram, imensos nevões fustigaram o campanário da igreja, muitos flocos de neve escorreram pela minha face afogueando-a de saudades.
Hoje, em pleno mês de Novembro penso que esse rapazola era eu. Que transpus, através do quadro, para o presente os medos de criança, os fantasmas que sempre pressagiei.
- As minhas desculpas a mim mesmo.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Convite

domingo, 29 de novembro de 2009

A Traição de Psiquê

Capa da autoria do designer Aurélio Mesquita


Colectânea de poesia e prosa poética com a chancela da Editora Lugar da Palavra.


Autores:

Adolfo Fonseca_Alice Santos_Ana Maria Mendonça
António Sem_Ausenda Hilário
Bruno Miguel Resende_Conceição Bernardino
Daniel Orge_Dinah Raphaellus_Fernando Neto
Fernando de Sousa Pereira_Florbela de Castro
Francisco Grácio Gonçalves_Glória Costa_Isabel Reis
João Bosco da Silva_João Cordeiro
João Filipe Pimentel_Joe Outeiro_José António Pinto
Luís Manuel Ferreira_Manuel M. Oliveira
Maria Escritos_Modesto Nogueira
Mónica Correia_Náiade
Namibiano Ferreira_Nazarith_Octávio da Cunha
Paulo Alexandre e Castro_Paulo César Gonçalves
Rafael Atalaio_Romeu Braga_Silvério Calçada
Sílvia Soares_Silvino Figueiredo_Vieira Calado

Lançamento:

Dia 5 de Dezembro - 16 horas... na Biblioteca Municipal de Gondomar, onde o livro será apresentado no âmbito de uma tertúlia sobre o amor e o erotismo.
Dois textos do Sonhadoremfulltime farão parte desta colectânea.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dezoito anos de eterna saudade


Freddie Mercury, nome artístico de Farrokh Bommi Bulsara (Stone Town, 5 de Setembro de 1946 — Londres, 24 de Novembro de 1991), foi o vocalista da banda de rock britânica Queen. É considerado pelos críticos e por diversas votações populares um dos melhores cantores de todos os tempos e uma das vozes mais conhecidas do mundo.

in Wikipédia


Dezoito anos de saudade - fiquemos com a homenagem dos Marretas ao imortal vocalista dos The Queen: