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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Noite


É noite cerrada na minha alma de farrapos rasgada de dor

Noite cerrada como breu que não me permite olhar-te

Noite sem estrelas cintilantes que me alegram os olhos lacrimejantes de saudade de ti

Noite sem gesto de ternura que é consumada pela mão do teu ser de mulher

Noite sem ti no meu corpo vazio de sentimento e tão repleto de paixão

É noite cerrada na minha alma

Noite... e nada mais!


Escrito numa noite comum… e nada mais!
JC
Imagem: Google

domingo, 12 de julho de 2009

Quando


Quando as minhas mãos te tocam, sinto um corpo em êxtase, um corpo ardente de desejo.

Quando as minhas mãos te tocam, sinto que te ilumina a alma, o coração e o querer.

Quando te abraço, são dois corpos unidos pelo anseio da união.

Dois corpos que tremem de sofreguidão, de amor, que enlouquecem pela hora que não se vislumbram.

Quando te toco sinto o teu vibrar como se fosse a primeira vez.

Quando te abraço, sinto o palpitar de dois corações que em uníssono clamam pelo amor, pelo desejo.

Sinto embebido em mim o teu calor, o teu cheiro, a tua presença.

Quando nos acariciamos, deixamos cair no chão a máscara do dia e ficamos despidos de preconceitos, como dois inocentes que nada mais vêm, que a paixão.

Ao beijar-te sinto-te em mim.

Sinto-te na sensualidade que tão bem demonstras.

No azul do céu, no azul do mar; cor azul que penetrou no meu coração como uma seta mordaz, que me fere de desejo.

Ontem amor… ontem consegui chegar ao azul celeste, com os teus lábios e língua de amante impiedosa.

Ficaste com o sabor doce do sémen que te dei de paixão.

Depois saboreamos ambos nos teus lábios o sabor da vida…

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Amor Reflexo


Quando me olho ao espelho vejo um espectro… sem vida própria, sem traços de gente.
Por vezes não me suporto. Não me quero ver e cerro os meus olhos marejados de lágrimas que não vivem. Estão extintas de tédio, pois surgem-me diariamente.
E tal como estas lágrimas, o descontentamento invadiu-me a existência.
E o tempo não sara os estigmas do amor… principalmente se sopra e nada nos verbaliza. Passa por nós como um tornado que nos destrói a vontade, o querer… e eu fico prostrado como que atingido por uma abulia.
Por que é tão difícil fazer-te sair da minha vida?
Quando mais quero esquecer, mais as coisas que me rodeiam fazem recordar-te.
Ao matutar nos anos que já nos conhecemos e por aquilo que já passámos, as lágrimas caiem-me pela face como água límpida duma copiosa cascata.
Certos dias doem-me os olhos do pensamento, a cabeça de muito querer ver como te via.
Não gosto, nem quero pensar, que tudo foi em vão, porque sei que não foi.
Mas então, porque acabamos sempre por pôr um término ao que temos?
Sou insuportável, tu és intolerável. Existe entre nós uma sinestesia de corpos e pensamentos que não destrinçamos, com medo de deixarmos de existir. Como se eu te dissesse ao ouvido inspira, agora expira; como se me ensinasses tudo aquilo que sou e levei anos a edificar.
Não sou ninguém sem ti; tu recusas a sê-lo sem mim. Precisas de mim na mesma proporção em que preciso de ti.
Sei o quão doloroso é tentar esquecer-te e tentar apagar-te da minha vida... já o tentei uma vez, duas, três… não consegui e o resultado foi o que sabemos.
Não te quero apagar integralmente da minha vida... comportas ainda todas as recordações, das quais não quero abdicar.
Mas estas lembranças são demasiadas, e vão-me roendo por dentro.
Já, por várias vezes, pensei que és como um vício... e volto a considerar essa ideia.
E como viciado que sou, não consigo desintoxicar-me de ti... cheguei a um ponto em que te encontras completamente impregnada em mim, na minha mente, no meu sangue, no meu ser...
Nas minhas veias não corre sangue, circula ácido que me queima a alma, que me incendeia o coração num fogo-fátuo porque o sinto em putrefacção.
Já o não sinto dentro de mim, entreguei-o por vontade, por paixão. Sinto-me um infecundo da paixão, quiçá da alegria, imaginação ou até de mim.
Magoo-me tanto.
Magoei-te a ti.
E pior ainda, magoei outros.
Não sei que seria o mais adequado a fazer agora... se ficar, ou partir para outra...
Uma parte de mim quer isso... mas a outra parte agarra-se de unhas e dentes a ti...
Porquê?
Diz!
Não sabes!
Não sabes, mesmo?
Eu também não!
E te tanto tentar perceber aquilo que sou, sinto cansaço de tudo.
Principalmente de mim!
JC
Imagem: Google

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Pinto-te


Pinto-te em letras escarlates,
Saboreio-te em traços de acasos mirabolantes
E segredo-te indecências brilhando no escuro!
Pingo-te nos olhos ternuras e sonhos,
Espreito por eles a tua alma,
Descubro emoções,
Incendeio-te o íntimo...
Entranho-me na tua pele,
Esqueço a tua tela,
E deixo-me consumir no fogo que ateei!

Escrevo-te os desejos,
Amanheço-te a fantasia
E encanto-te as noites de gélidas de amor.
Pintura: Fernando Barbosa

domingo, 5 de julho de 2009

Nu só para ti


Afundo os meus dedos em ti,

Os meus olhos nos teus...

O calor doce,

A tua língua

Em mim...

Fundo o meu cheiro no teu,

O meu sabor no delírio de um beijo!

E a chama dos sentidos,

Emoções a corar ao sol,

Desfaz-me o corpo de encontro ao teu...

Mergulha no meu sal,

Na minha água e na minha espuma...

Embala o teu corpo no meu,

Amacia a tua pele na minha água de rosas...

Que freneticamente preparei para ti.

E quando a penumbra que nos namore o banho

Se estender pelo delírio de valsas e tangos

A paixão encerrará em cofre de seda a tua voz,

A chave mergulhará no tempo!

Apenas as tuas mãos a saberão usar,

Em noites de lua cheia,
E banhos de espuma enluarada!

Nu só para ti!