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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Changes


Uma das músicas da minha vida, da minha adolescência e do meu sentir. 


I feel unhappy
I feel so sad
I'v lost the best friend
That I ever had
She was my woman
I loved her so
But it's too late now
I've let her go
I'm going through changes
I'm going through changes
We shared the years
We shared each day
In love together
We found a way
But soon the world
Had its evil way
My heart was blinded
Love went astray
I'm going through changes
I'm going through changes
It took so long 
To realize
That I can still hear
Her last goodbyes
Now all my days
Are filled with tears
Wish I could go back
And change these years
I'm going through changes
I'm going through changes
Ozzy Osbourne

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O reverso da palavra



Quero escrever a minha existência, num verso de uma folha qualquer.

Escrever palavras incorrectas, como o equívoco que agarra os meus sentidos.

Vou virar-me do avesso e dizer tudo de mim… mesmo aquilo que está calado no fundo do coração.

Porque, dizer o que está certo, gritar a frase verdadeira, perde o encanto que nela habita.

Quero colocar aquele olhar perverso, que apenas espreita e não olha.

Quero ler o poema escrito, numa folha perfeita, com palavras correctas na beira de um verso qualquer.

Quero que exista sempre uma manhã de claridade ao despertar para ver a luz do sol num voo rasante sobre o Tejo.

Quero escutar o som das gaivotas que me falam de saudade e ver os barcos que naufragam nas águas revoltas do meu peito.

Agora as tardes já se perdem no rasgo traçado pelos barcos em calmaria.

Já não quero o meu olhar libertino, nem penetrar no meu oposto.

Quero poder navegar com os olhos do passado num corpo lasso, seguir rotas por explorar e soltar sonhos multicolores para o ar.

Desamarrá-los em lembranças vagas e ancora-los no porto da melancolia, enquanto a minha alma percorre o lusco-fusco, perdida e à margem de uma vida já premente.

domingo, 16 de maio de 2010

Insónia da saudade




As minhas incertezas ocupam o espaço limitado por todas as barreiras.
A melancolia repousa no tempo roubado à realidade, num mar onde não tenho pé, onde desaprendi de nadar.
Talvez me segure a uma rocha, talvez aviste o porto, talvez não. Talvez...
Mas enquanto a rocha não sobrevém e o porto é uma miragem, a saudade vai branqueando e pretende acompanhar-me no correr breve e veloz do tempo.
A saudade foi entrando sem pedir licença.
Primeiro uma doce lembrança, depois um vago desconforto.
Tentei resisti-lhe. Riu-se de mim e atiçou sentidos para melhor me dominar.
Foi-me envolvendo num laço que, a pouco e pouco, se apertou dentro de mim.
Tentou deitar abaixo os muros das minhas certezas. Carregada de pedaços de sonho, instalou-se como se fizesse parte do rio que me percorre.
Lutei, procurei tudo o que a vida me ensinou para a enfrentar. Mas, a cada argumento meu, respondeu descobrindo o que em mim residia sem que eu visse, sem que soubesse sequer.
Não me deu tréguas e já não tento domá-la.
Sei que se acalma no olhar das palavras, nas noites em que até o sono se esconde.
E sempre que a insónia me sufoca ergo-me incauto nas margens da noite, e atiro palavras contra a porta do silêncio.

domingo, 9 de maio de 2010

Lágrimas de sangue



A anódina das tuas palavras corta-me o coração às fatias,

na réstia de amor que a distância nos permite manter.

O dia nasceu num choro compulsivo, como o meu coração.

No rosto apenas as marcas da desilusão.

O que me sai da alma e me corre pelo rosto,

é a demonstração corpórea do que temos.

São lágrimas de sangue o que choro,

lágrimas levadas pelo mar e corroídas pelo tempo!

E o tempo começa a comprimir demasiado.

Hoje perdi uma asa no meu voar.

Não quis voar até ao altar que me esperava.

Quem sabe se perdi mesmo a capacidade para voar?

Que importa se já nem voar me dá prazer…

domingo, 2 de maio de 2010

A águia e o falcão


Conta uma lenda da tribo índia sioux, que certa vez, Touro Bravo e Nuvem Azul chegaram de mãos dadas à tenda do velho feiticeiro da tribo e pediram:

- Amamo-nos tanto que vamos casar. Mas amamo-nos de tal forma que queremos um conselho que nos garanta ficar sempre juntos, que nos assegure estar um ao lado do outro até à morte. Diz-nos se existe algo que possamos fazer?

O velho índio, emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados, disse:
- Sim! Existem coisas que poderão fazer, mas acautelo que são tarefas bastante difíceis. Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte da aldeia apenas com uma rede, caçar o falcão mais vigoroso e trazê-lo com vida, até ao terceiro dia depois da lua cheia. E tu, Touro Bravo, deves escalar a montanha do trono; lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias. Somente com uma rede deverás apanhá-la, e trazê-la viva até mim!

Os jovens entreolharam-se e com um apaixonante abraço selaram o seu amor e partiram para cumprir a missão.

No dia estabelecido, na frente da tenda do feiticeiro, os dois apaixonados esperavam com as aves.

O velho tirou-as dos sacos e constatou que na realidade eram verdadeiramente formosos exemplares dos animais que ele tinha pedido.

- E agora, o que faremos? Perguntaram os dois jovens.

- Agora, peguem as aves e amarrem uma à outra pelas patas com essas fitas de couro. Quando estiverem amarradas, soltem-nas para que voem livres.

Eles assim fizeram. Depois de as amarrarem nas patas soltaram as duas aves.

A águia e o falcão tentaram voar, mas conseguiram apenas saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela impossibilidade de não conseguirem voar, as aves arremessaram-se uma contra a outra, bicando-se até se contundirem.

Então o velho vendo os rostos tristes e surpreendidos dos dois jovens, disse:

- Jamais esqueçam o que estão a ver. Este é o meu conselho… Vocês são como a águia e o falcão. Se estiverem amarrados um ao outro, ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou mais tarde, começarão a provocar feridas um ao outro. Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados. Libertem-se para que possam ambos voar com as vossas próprias asas. Esta lição é uma verdade no casamento, nas relações familiares, de amizade e profissionais.

Respeitem o direito das pessoas voarem rumo ao sonho delas. E lembrem-se sempre que só livres as pessoas são capazes de amar.



Fonte: Lenda índia Sioux