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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Uivo


O mar azul emanava o seu odor matinal que lhe invadia as narinas e lhe atulhava os pulmões de ar fresco.
O mar como companheiro dos bons e maus momentos, a testemunha de todos os sorrisos e de todas as lágrimas. Com ele partilhava a dúvida, o gosto da incerteza e o medo do futuro sempre tão incógnito.
Como resposta só obteve a espuma daquela água tão pura que castigava as rochas e invadia o infinito areal. Sentou-se com a cabeça estonteante de vazia.
Olhou para as dunas que pareciam cogumelos gigantes. Quando retomou o olhar apenas descortinou no horizonte uma mulher linda, coberta de branco onde ele se dissolvia numa escolha impossível.
Sentiu os diversos aromas que o cercavam. Como em transe e aos poucos foi-se aproximando e ficou preso aos olhos dela que cheiravam a mar.
Afagou-lhe os cabelos lisos cor azeviche atraindo a sua cabeça para o seu peito e com firmeza entrelaçou-lhe a cintura fina num acto de prazer inimaginável onde a fusão foi possível tão-somente por magia.
O corpo ofegou como um todo e, no mesmo momento em que consumia todo aquele mar, ele, num último uivo lancinante de prazer, espalhou sobre ela as ondas do seu amor.
Naquele silêncio de corpos, um último uivo, dela, fez-se ouvir pela encosta abaixo, no preciso momento em que os primeiros raios do astro-rei começavam de longe, a invadir a velha igreja.

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