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domingo, 29 de novembro de 2009

A Traição de Psiquê

Capa da autoria do designer Aurélio Mesquita


Colectânea de poesia e prosa poética com a chancela da Editora Lugar da Palavra.


Autores:

Adolfo Fonseca_Alice Santos_Ana Maria Mendonça
António Sem_Ausenda Hilário
Bruno Miguel Resende_Conceição Bernardino
Daniel Orge_Dinah Raphaellus_Fernando Neto
Fernando de Sousa Pereira_Florbela de Castro
Francisco Grácio Gonçalves_Glória Costa_Isabel Reis
João Bosco da Silva_João Cordeiro
João Filipe Pimentel_Joe Outeiro_José António Pinto
Luís Manuel Ferreira_Manuel M. Oliveira
Maria Escritos_Modesto Nogueira
Mónica Correia_Náiade
Namibiano Ferreira_Nazarith_Octávio da Cunha
Paulo Alexandre e Castro_Paulo César Gonçalves
Rafael Atalaio_Romeu Braga_Silvério Calçada
Sílvia Soares_Silvino Figueiredo_Vieira Calado

Lançamento:

Dia 5 de Dezembro - 16 horas... na Biblioteca Municipal de Gondomar, onde o livro será apresentado no âmbito de uma tertúlia sobre o amor e o erotismo.
Dois textos do Sonhadoremfulltime farão parte desta colectânea.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dezoito anos de eterna saudade


Freddie Mercury, nome artístico de Farrokh Bommi Bulsara (Stone Town, 5 de Setembro de 1946 — Londres, 24 de Novembro de 1991), foi o vocalista da banda de rock britânica Queen. É considerado pelos críticos e por diversas votações populares um dos melhores cantores de todos os tempos e uma das vozes mais conhecidas do mundo.

in Wikipédia


Dezoito anos de saudade - fiquemos com a homenagem dos Marretas ao imortal vocalista dos The Queen:



sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Minha Culpa


Minha Culpa


A Artur Ledesma

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou?! Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém...

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem Sou?! Sei lá! Sou a roupagem
Dum doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro...
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de vaidades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

domingo, 15 de novembro de 2009

Sobre o amor


O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura;
e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos.
O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão.
Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

Fonte: "Livro do Desassossego"
Autor: Pessoa , Fernando

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Que vida...


Esta tarde, após um dia arrasante, o desejo de uma bebida quente fez-me entrar num café.
Sentei-me num canto onde a penumbra me protegia e varri o olhar pelo espaço.
Naquela sala, os olhares arregaçam-se para um destino, o silêncio das mãos impera. Ouve-se o cantar das chávenas de café que nos assaltam a vontade e o desejo.
A saia raiada da lua entra pela janela e dá energia suficiente para que o meu pensamento arranque na observação dos sentidos.
As pessoas, na maioria idosas, confessam a sua vida como o seu último segredo. Os que ainda estudam, concluem apontamentos para o trabalho que lhes compete apresentar. Depois há as Brasileiras que se encostam ao mármore do bar e conversam com aquele seu jeito que faz nascer um sorriso até ao mais sisudo dos seres. A espera pesa nas pernas, pesa nas pálpebras. Todos são da mesma opinião, o dia nasceu muito frio, mas a lua já brilha para derreter a neve que pernoita nos olhares desta gente.
Que vida…

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mulheres

Este pequeno texto é dedicado às mulheres que me acompanharam num jogo de fortuna e azar, apaixonante, delicado e perigoso em todas as suas etapas: A Vida.
Desde aquela que me carregou no ventre, às que me amaram, odiaram, me deram a mão segurando-me da fatídica queda, ou que me retiraram a alcatifa que absorvia o som dos meus passos que me assustavam, às que me querem, às que me ofertam gratuitamente a ninguém, a todas agradeço os preceitos que me transmitiram.



Amar-te mulher
Foi a génese de tudo
No adeus das cinzas dadas ao mundo
Quero morrer em amor maior!

Eu tenho na ponta da língua, o corpo completo da palavra.
Sinto na língua, as letras soberbas do teu corpo.
Decifro-te no sabor da minha língua e posso dizer sem pudor que adoro as tuas formas, o teu sabor integral.
Na ponta da minha língua, sei o fantasma da minha vida, sei de mim. Sei o que mais posso e devo fazer de belo.
Sei que na ponta da minha língua te posso fazer o corpo mais belo ainda.
Desenho o abraço à nossa medida. Faço o rio sereno e revolto e oferto-te um mar de vida.
Na ponta da minha língua, posso esculpir-te com estas mãos ancestrais num corpo etéreo, com mares nos seios, sedosa de desejos perenes.
Irei juntar água e flores na rota do teu gozo, largar-te a navegar sem bússola e deixar naufragar-te de desejo em flor.
Na ponta da minha língua colo o desejo no jardim suspenso do prazer, e na tua rosa pressinto laivos faiscantes de loucura, entrega, abandono e, dádiva na face da lua.
E a noite para mim é ouro. É na noite que eu renasço e tomo a lua de amarelos e laranjas intermitentes.
É na cegueira da noite que pinto com a canção dos loucos, a imagem feminina numa tela livre dos quatro elementos da vida.
O fogo por dentro da terra gela-me. O ar que percorre o mar asfixia-me.
Eu continuo fechado por dentro como uma estátua de pedra pura.
Fechado por dentro do próprio segredo.
Mas julgo ter a chave e um único desejo: abrir o mundo e dar vida à estátua que existe em mim.
Para que serve uma chave sem as mãos certas de saber abrir?
As minhas mãos são de sal desfeito ao sol do dia quente.
Para que serve um olhar sem olhos de reflectir?
Se o meu destino é nada ver de olhos abertos.
Deixem-me apenas ter poder, para não poder mais nada.
Soltem os cães dos sentidos sobre mim e deixem-me caído em qualquer sarjeta, porque eu continuo fechado por dentro, e apenas eu posso ser o carcereiro de mim próprio, com as chaves nas mãos desfeitas, ou a chave errada nas mãos inúteis.
Fecho-me por dentro se quiser e se o desejar, ando fechado no meio do mundo.
Na forja deito a ideia em metal incandescente moldando a chave que um dia me libertará do isolamento e das garras do só.
Eu falo para mim. Pergunto e respondo.
Mas por favor nada de mentiras piedosas. Estou farto. Eu sei e posso ver a mulher sentada no mar e no centro do mundo, livre como ela própria, livre por ser mulher.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O mundo já não é o mesmo, pois não, mãe?



Quando me ponho a pensar, a pensar desmesuradamente julgo que mais dia, menos dia darei completamente em doido. Isto se não o for já!

-Já fiz cinquenta anos, mãe. Sabias? Mas ainda sou o teu menino.
Pois, não tens consciência… desde há cinco anos que essa maldita te roubou a lucidez e o vigor.
Penso, torno a pensar, e elevo a rigidez dos membros, pousando as mãos como uma concha por cima do coração, certificando-me que ele ainda bate.


Amo-te!