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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Mulheres

Este pequeno texto é dedicado às mulheres que me acompanharam num jogo de fortuna e azar, apaixonante, delicado e perigoso em todas as suas etapas: A Vida.
Desde aquela que me carregou no ventre, às que me amaram, odiaram, me deram a mão segurando-me da fatídica queda, ou que me retiraram a alcatifa que absorvia o som dos meus passos que me assustavam, às que me querem, às que me ofertam gratuitamente a ninguém, a todas agradeço os preceitos que me transmitiram.



Amar-te mulher
Foi a génese de tudo
No adeus das cinzas dadas ao mundo
Quero morrer em amor maior!

Eu tenho na ponta da língua, o corpo completo da palavra.
Sinto na língua, as letras soberbas do teu corpo.
Decifro-te no sabor da minha língua e posso dizer sem pudor que adoro as tuas formas, o teu sabor integral.
Na ponta da minha língua, sei o fantasma da minha vida, sei de mim. Sei o que mais posso e devo fazer de belo.
Sei que na ponta da minha língua te posso fazer o corpo mais belo ainda.
Desenho o abraço à nossa medida. Faço o rio sereno e revolto e oferto-te um mar de vida.
Na ponta da minha língua, posso esculpir-te com estas mãos ancestrais num corpo etéreo, com mares nos seios, sedosa de desejos perenes.
Irei juntar água e flores na rota do teu gozo, largar-te a navegar sem bússola e deixar naufragar-te de desejo em flor.
Na ponta da minha língua colo o desejo no jardim suspenso do prazer, e na tua rosa pressinto laivos faiscantes de loucura, entrega, abandono e, dádiva na face da lua.
E a noite para mim é ouro. É na noite que eu renasço e tomo a lua de amarelos e laranjas intermitentes.
É na cegueira da noite que pinto com a canção dos loucos, a imagem feminina numa tela livre dos quatro elementos da vida.
O fogo por dentro da terra gela-me. O ar que percorre o mar asfixia-me.
Eu continuo fechado por dentro como uma estátua de pedra pura.
Fechado por dentro do próprio segredo.
Mas julgo ter a chave e um único desejo: abrir o mundo e dar vida à estátua que existe em mim.
Para que serve uma chave sem as mãos certas de saber abrir?
As minhas mãos são de sal desfeito ao sol do dia quente.
Para que serve um olhar sem olhos de reflectir?
Se o meu destino é nada ver de olhos abertos.
Deixem-me apenas ter poder, para não poder mais nada.
Soltem os cães dos sentidos sobre mim e deixem-me caído em qualquer sarjeta, porque eu continuo fechado por dentro, e apenas eu posso ser o carcereiro de mim próprio, com as chaves nas mãos desfeitas, ou a chave errada nas mãos inúteis.
Fecho-me por dentro se quiser e se o desejar, ando fechado no meio do mundo.
Na forja deito a ideia em metal incandescente moldando a chave que um dia me libertará do isolamento e das garras do só.
Eu falo para mim. Pergunto e respondo.
Mas por favor nada de mentiras piedosas. Estou farto. Eu sei e posso ver a mulher sentada no mar e no centro do mundo, livre como ela própria, livre por ser mulher.

3 comentários:

Luz disse...

Querido Sonhadoremfulltime,
Com mais calma comentarei este teu texto que para mim tem muito que se lhe diga...,ou, não...

Mas para já deixa-me dizer que para morrermos em amor maior temos de amar, amar e amar..., saber amar acima de tudo, é o segredo.

Agora quero dizer-te que também te desafiei no meu blog animalucemia, não apenas no atomovida ;)

Beijo

Rosy disse...

Boa tarde!
Adorei este seu texto, tal como todos os outros, mas este especialmente.
gosto da sua forma de se expressar!
Quanto á chave que tanto tenta abrir, é algo que me identifico muito tambem..

mas como costumo dizer, nada e por acaso, as vezes o facto de vivermos o momento intensamente só, faz com que o resto apareca por si só!
uma boa continuaçao de dia.
beijinhos

continuando assim... disse...

sonhador

agora também eu fiquei sem palavras:)

obrigada
bj
teresa