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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Amor Reflexo


Quando me olho ao espelho vejo um espectro… sem vida própria, sem traços de gente.
Por vezes não me suporto. Não me quero ver e cerro os meus olhos marejados de lágrimas que não vivem. Estão extintas de tédio, pois surgem-me diariamente.
E tal como estas lágrimas, o descontentamento invadiu-me a existência.
E o tempo não sara os estigmas do amor… principalmente se sopra e nada nos verbaliza. Passa por nós como um tornado que nos destrói a vontade, o querer… e eu fico prostrado como que atingido por uma abulia.
Por que é tão difícil fazer-te sair da minha vida?
Quando mais quero esquecer, mais as coisas que me rodeiam fazem recordar-te.
Ao matutar nos anos que já nos conhecemos e por aquilo que já passámos, as lágrimas caiem-me pela face como água límpida duma copiosa cascata.
Certos dias doem-me os olhos do pensamento, a cabeça de muito querer ver como te via.
Não gosto, nem quero pensar, que tudo foi em vão, porque sei que não foi.
Mas então, porque acabamos sempre por pôr um término ao que temos?
Sou insuportável, tu és intolerável. Existe entre nós uma sinestesia de corpos e pensamentos que não destrinçamos, com medo de deixarmos de existir. Como se eu te dissesse ao ouvido inspira, agora expira; como se me ensinasses tudo aquilo que sou e levei anos a edificar.
Não sou ninguém sem ti; tu recusas a sê-lo sem mim. Precisas de mim na mesma proporção em que preciso de ti.
Sei o quão doloroso é tentar esquecer-te e tentar apagar-te da minha vida... já o tentei uma vez, duas, três… não consegui e o resultado foi o que sabemos.
Não te quero apagar integralmente da minha vida... comportas ainda todas as recordações, das quais não quero abdicar.
Mas estas lembranças são demasiadas, e vão-me roendo por dentro.
Já, por várias vezes, pensei que és como um vício... e volto a considerar essa ideia.
E como viciado que sou, não consigo desintoxicar-me de ti... cheguei a um ponto em que te encontras completamente impregnada em mim, na minha mente, no meu sangue, no meu ser...
Nas minhas veias não corre sangue, circula ácido que me queima a alma, que me incendeia o coração num fogo-fátuo porque o sinto em putrefacção.
Já o não sinto dentro de mim, entreguei-o por vontade, por paixão. Sinto-me um infecundo da paixão, quiçá da alegria, imaginação ou até de mim.
Magoo-me tanto.
Magoei-te a ti.
E pior ainda, magoei outros.
Não sei que seria o mais adequado a fazer agora... se ficar, ou partir para outra...
Uma parte de mim quer isso... mas a outra parte agarra-se de unhas e dentes a ti...
Porquê?
Diz!
Não sabes!
Não sabes, mesmo?
Eu também não!
E te tanto tentar perceber aquilo que sou, sinto cansaço de tudo.
Principalmente de mim!
JC
Imagem: Google

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