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domingo, 19 de julho de 2009

Ilusão da palavra ou palavras de ilusão...


Depois de um banho com água fria, para acalmar o espírito, o stress de uma noite mal dormida, visto-me a preceito e corro como louco. Não te posso perder. Dirijo-me freneticamente para o nosso espaço habitual.
Apesar de o estio já ter nascido, a manhã estava fresca o que convencia a um pouco de conforto. De algum calor. Não podia arriscar. Enquanto corria ia monitorizando o relógio, o que me ia provocando uma queda que não aconteceu porque me consegui equilibrar ao bater num sujeito alto e espadaúdo, mas portador de uma cara cadavérica. Tudo, mas tudo foi importante pois alcancei-te a tempo. Respirei fundo várias vezes para renovar o ar gasto dos meus rarefeitos pulmões, e sorri. No entanto comecei a sentir um friozinho no estômago e a pulsação acelerada, tal e qual como quando do primeiro encontro. Que loucura a minha. Já há vários anos que te conhecia. Todavia, para mim era sempre a primeira vez.
Ainda lá permanecias e não tinhas partido. Vi-te ainda de longe. Desci numa corrida louca as escadas de mármore que me separavam de ti. Estavas imóvel, numa espécie de espera, de quem espera, pela hora certa.
Por vezes imagino que a vida tem banda sonora. Sim! Como nos filmes de Bertolucci. Lembras-te do La Luna? Sim! A sua obra mais polémica e obscura. E o que é a vida senão um fita, umas vezes cómica, outras dramática? Fecho os olhos e ouço a música de fundo. Sabes que existe uma para cada momento? Sim como nas películas, também na vida o “realizador” escolhe a música que melhor enquadra a cena. A que oiço hoje é triste, mas a melodia ajuda-me a chorar e depois paulatinamente estanca o manancial de lágrimas e deixa-me melhor, purificado.
E como de uma cena se tratasse cheguei-me de mansinho até te invadir e penetrar o teu interior.
A partir dali os corpos ficaram unidos de tal modo, que eu senti-a as batidas do teu coração. A minha respiração confundia-se com a tua. Entreolhámo-nos e sorrimos. O teu sorriso percorreu-me a medula e sonhei de olhos abertos: “Finalmente tenho paz. Não tenho nada nem ninguém à minha espera, não tenho horários, nem nenhum lugar para onde ir. Tenho apenas a tranquilidade da praia, o cheiro do mar, os gritos das gaivotas o calor do sol para me aquecer o corpo e a alma e a ti.
Nessa altura vou passar muito tempo a escrever. Escrever sem parar o que me vier a cabeça. Prosa, poesia, palavras sem nexo, cartas de amor para ti e para ti.”
Despertei e apercebi-me que de facto estava dentro de ti. Partimos juntos para a aventura. A loucura apoderou-se de nós.
Os nossos movimentos estavam sincronizados, como um relógio Suíço de quartzo.
Existia um vaivém cadenciado e regular. Por vezes esse movimento parava como impedido por algo que não dominávamos. Mas, entendíamos que assim tinha de ser.
Depois de alguns minutos, prosseguíamos cada vez mais rápido.
Por vezes sentia que te cansavas da mesma posição. Então, eu esforçava-me por mudar, para que te ajeitasses ao novo espaço dos nossos corpos.
Enquanto te ajeitavas deixei-me fugir de novo. Já não me encontrava ali. Tinha voado como um pássaro que habita em mim. Para muito longe da realidade. Um pássaro que se recusa a voar para a liberdade que lhe permito.
Mas ele recusa. Um pássaro que me pune com a presença, que me corrói as vísceras. Ordeno que voe, que me deixe, mas não. Não me obedece, não voa. Será um áptero? Continua a ferir-me todos os dias, até que me renda. Ave maldita que apenas te oiço chilrear e nada me dizes.
Mas não me alicias. Sou forte e resisto. Chilreia e tenta calar-me com essas asas castradoras das emoções. Busco-me a mim mesmo dentro da ave que me habita. Dou-me a liberdade que não quero, e fujo de mim num voo rasante no mar dos sentimentos.
E os sentimentos embebidos em amor e paixão estavam presentes quando aterrei de novo em ti.

O movimento é cada vez mais rápido e o suor começa a fluir, sem nada que possamos fazer.
Um calor enorme invade-nos a face e todo o corpo com tal intensidade que por vezes parece que vamos desmaiar. Mas não, uma atracção ainda maior faz-nos ainda mais unidos um ao outro e quando não aguentamos mais seguramo-nos...
Mas, estamos mesmo a chegar ao fim... mais um pequeno esforço... Até que...
Uma voz efeminada e metálica ecoa nos nossos ouvidos: “ próxima paragem, estação de Entrecampos.”




Imagem: Google

1 comentários:

Filipinha disse...

Faz tão bem à alma poder ler tanto sentimento.