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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Destino?



Penso, torno a pensar, e desde sempre pressinto que só pertenço aos sítios onde não estou e que só me entrego a quem não posso. NÃO? É um assunto para de novo cogitar até que a alma me doa. A minha vida desconchavou-se em mil cacos. Raramente me descubro.
Até a noite tomba onde não me encontro. É como uma anedota contada por cima de muitos copos de Super Bock, no fim de uma tarde estival.
No entanto quando a noite arrolha a tarde, uma brisa fria obriga ao casaco e, depois de estender o olhar uma última vez sobre Lisboa e o Tejo é hora de voltar a casa. E quando chega a hora, é muito mais fácil quando conhecemos tudo, sabemos o caminho, observamos os sinais e a estrada não é enganadora, mas a viagem tem mais sabor quando cada encruzilhada é uma incógnita e o destino, um indecifrável enigma.
Mas dizem que a noite pode ser assim muitas coisas, pode ser um castigo ou pode ser um bálsamo. E sempre que me vejo nessa incerteza nocturna, eu afasto-me das luzes e corro, corro muito pelas artérias de laje dura, corro a noite toda às voltas tentando encontrar-me.
Mas eu existo? Já não sei. Estou consumido. Dei-me sempre mais do que podia.
Antes, a solidão vergava-me, mas com o rolar do tempo povoei-a com alguns sorrisos, com uns pequenos e acanhados gestos de cabeça, que aderem à mente, e me dizem que ainda existo, que continuo vivo e que ainda pressinto o coração a afoguear aqui dentro do meu peito. E quando o silêncio se cala de vez, ele bate e eu oiço.
É tudo o que podemos ganhar quando se aprende a estar sozinho, tem-se tudo e não se possui nada.
Se morresse agora não deixava nada, porque bebi toda a minha sede, esvaziei-me, devorei noite após noite com o amargo que têm as coisas antes de nos pertencerem.
Sou um corpo que se evita, um homem cujo nome se arruinou no trilho do tempo.
Penso mesmo que o meu corpo vive hoje dentro do espelho, onde se perdeu o teu. Percebo que troquei um futuro mais que perfeito por um presente indicativo, só não entendo o que foi obra do destino, ou aquilo que foi intencional.
Julgo que foi, é e será sempre a incógnito da vida que nos conduz. A sorte é não lhe conhecermos o trilho.




Imagem: Google

1 comentários:

Jorge Martins disse...

Lindissimo.. Adorei..