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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Em todas as ruas te encontro


Em todas as ruas te encontro

em todas as ruas te perco

conheço tão bem o teu corpo

sonhei tanto a tua figura

que é de olhos fechados que eu ando

a limitar a tua altura

e bebo a água e sorvo o ar

que te atravessou a cintura

tanto tão perto tão real

que o meu corpo se transfigura

e toca o seu próprio elemento

num corpo que já não é seu

num rio que desapareceu

onde um braço teu me procura


Em todas as ruas te encontro

em todas as ruas te perco.



Mário Cesariny, in "Pena Capital"

1 comentários:

Luz disse...

Lindo! Obrigada por trazeres também ao teu espaço autores como este, aprecio muito, é também um dos meus autores e, este poema toca-me demasiado que prefiro silenciar o que ele me transmite e significa em mim, quero apenas sentir...

Uma vez mais obrigada!

Beijo