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domingo, 10 de janeiro de 2010

O homem que jamais alguém descobriu



Quero peregrinar!
Talvez fugir para parte incerta e distante onde ninguém me possa achar.



Tentar polir um par de asas e levantar voo no firmamento.
Deixar-me ir como uma andorinha migratória que segue uma nuvem com alegria e alento.



Quero esquecer, fugir, quero abrir os olhos e não ver o presente, desmaiado e vulgar.
Quero absorver e viver o futuro de maneira que me sorria para o poder pintar.



Vou fugir, vou viajar, vou sair. Vou arrancar raízes profundas ir. Vou caminhar
ao encontro do teu ser, do teu corpo, do teu rosto a sorrir.



Mas, quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti.
Cobre o meu corpo frio com um dos lençóis que alagamos de seiva dos beijos ardentes e leva-o para uma praia junto ao mar, onde possa ser apenas mais um poema, como esses que te escrevi.



Planta à minha volta uma fiada de rosas brancas em recipientes mornos,
e um cordão de árvores que perfurem a noite, porque a morte deve ser clara como o sal na crista das ondas, e a cegueira assusta com seus contornos.



Quando eu morrer, deixa-me a ver o mar do alto de um rochedo e não chores, nem toques com os teus lábios a minha boca fria.
Promete-me que rasgas os meus versos em pedaços tão pequenos que se percam, numa suave apatia.



E não esqueças de os lançar no retiro do oceano para que se alguém os enxergar de longe julgar serem flores que o vento despiu.
Ou uma simples estrela que pinga luz de amor, uma lágrima de sol, quando na realidade é apenas um homem que jamais alguém descobriu.


2010-01-010

1 comentários:

Sônia Silvino disse...

Sonhador!
Que liiiindo!
Fiquei lendo e imaginando, viajando no pensamento!
Bjs!