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sexta-feira, 12 de março de 2010

A nossa primeira vez


"O desejo exprime-se por uma carícia, tal como o pensamento pela linguagem "
Jean-Paul Sartre


Acredito na força da escrita. Confio no seu poder. E só concebo escrever se me rasgar até ao âmago para o fazer.
Não condeno quem escreve apenas em busca de beleza estética.
Não sentenceio quem escreve com base na invenção pura, sobre algo que nunca sentiu.
Todavia, para mim a escrita é um sistema espinhoso, tem de começar por uma dor interior.
Eu não uso as palavras para escrever sobre mim, mas entrego-me nas palavras que escrevo.
As minhas figuras são fictícias mas tão reais, que quem as lê, pode pensar por vezes estar perante um espelho.
As personagens não existem, mas vivem aqueles sentimentos e sensações.
A solidão, a tristeza e o desespero existem e eu conheço-os.
Conheço-os bem.
Porque eu próprio os vivi e vivo. E este texto é figurino. Sei que alguém irá pensar e dizer… “Não é, que me revejo aqui?”

Não quero esquecer o dia que senti pela primeira vez as minhas mãos em ti, percorrendo todo o teu corpo numa carícia de desejo.
Na penumbra do meu quarto, o teu corpo desarmado encostei à parede.
De olhos fechados de semblante calado, inspirava o teu perfume que dançava no ar num misto eterno inebriar.
Teus cabelos espalhados em desalinho contrastavam com o níveo do meu pensamento.
Acariciei as tuas pernas de mulher como curvas sinuosas de um destino ignorado.
Tu cedida. Suave. Tão perto, que podia acariciar a tua mente, contornar a tua face, tornear os teus lábios, afagar os teus cabelos e sussurrar ao teu ouvido, frases desamarradas sem mágoa e sem lamentação.
Quis dizer-te o que nunca disse.
Dizer que me libertei, das algemas do passado, que quero viver a teu lado.
Que para sempre serei, mais verdade que sonho, mais refúgio que fuga, mais refúgio que adeus.
Os meus olhos desejosos de ti penetraram os teus e disseram o que os lábios não conseguiram dizer.
Os corpos fundiram-se numa valsa erudita de compasso binário composto.
O tempo correu veloz, sem horas, minutos nem segundos. Apenas um fragmento e nada mais. A nossa primeira vez, não esquece, porque existem muitas primeiras vezes. Mas, aquela nossa primeira vez terminou com um gemido de amor.

12-03-2010 (cerca das 15:00 horas, porque a hora é importante para mim e para alguém.)

5 comentários:

Sonhadora disse...

Meu amigo
Lindo texto...realmente a primeira vez fica sempre na memória.

Todavia, para mim a escrita é um sistema espinhoso, tem de começar por uma dor interior.
Eu não uso as palavras para escrever sobre mim, mas entrego-me nas palavras que escrevo.


Gostei destas palavras, porque eu sinto assim.

Beijinhos
Sonhadora

Angel in the dark disse...

Concordo com a sonhadora, também par mim as palavras têm de ter algo meu, têm de vir do fundo da alma.
O teu texto é verdadeiramente apaixonante!...

Rosy disse...

Ola...
quero desde ja agradecer pela sua visita e preocupaçao..
mas nao tem de forma alguma de pedir desculpas, pois nao ia advinhar isso!
Obrigada pela força, ja me encontro em forma!
Continue a sonhar no seu mundo lunar, pois e atraves deles que vivemos!
Nao tem que agradecer nada..
uma boa continuação..
da sua amiga rosy,
beijinhos

Luz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
elisa disse...

... ou pode, a escrita, começar por uma inquietação sorridente, quando já se viajou tanto que as emoções começam a surgir com uma beleza mais profunda. Que possas brevemente escrever a partir de um lugar tão vivo quanto aquele donde agora partes, mas onde a tua dor te seja mais distante e a tua vida possa ser um abraço ainda mais amplo. E tens razão, a primeira vez podem ser muitas.